CORONAVÍRUS - O drama das noivas que tiveram seus casamentos adiados

Por Davi Andrade 16/05/2020 - 05:18 hs

CORONAVÍRUS - O drama das noivas que tiveram seus casamentos adiados
Casamentos. Fotógrafo Ícaro Padilha

"Bom, não tivemos outra opção, senão remarcar a data do nosso casamento. Cancelar nunca passou pela minha cabeça, a final o casamento religioso e a cerimônia são um sonho", contou a médica Juliana Hosken, que teve que remarcar o casório em razão da pandemia do coronavírus.

Ela e o noivo, Luiz Henrique, são médicos na Bahia, e estavam com os planos de casar no dia 11 de julho em João Monlevade, no interior de Minas Gerais, cidade natal da noiva.

Juliana conta que o casal entraria em recesso em abril para finalizar os planejamentos da cerimônia na cidade mineira.

Nossas férias foram suspensas no mês de março e também fomos proibidos de tirar férias até meados de junho, explica a noiva.

"Eu não gosto de correr riscos. Então, logo no início da pandemia, já considerei a possibilidade de adiar o casamento", comentou. Entretanto, a noiva conta que envolve o contrato com quinze fornecedores.

Apesar da situação, ela comenta que todos os fornecedores já foram "muito compreensivos e solícitos".

Eles me passaram as datas disponíveis próximo ao final do ano, e, graças a Deus, encontrei uma data em que todos estavam disponíveis, explica.

A cerimônia foi remarcada para 28 de novembro, data escolhida pelo casal.

Juliana contou que nenhum fornecedor cobrou multa. Parece que estão entendendo o cenário e precisam ponderar algumas cláusulas contratuais, completa.

A noiva explica que criou uma relação de confiança com todos os fornecedores e, por isso, não esperava uma reação diferente  deles. "São todos especiais! Sonham comigo!

Com a remarcação da cerimônia, Juliana conta que não tem a intenção de casar on-line. "Sou mais da vida real e do afeto presencial. Sonho com a igreja da minha cidade entrando com meu pai e todos os convidados presentes", comenta. Mas, em relação ao casamento civil, a noiva considera oficializar o matrimônio nos papéis, caso os cartórios da Bahia estejam funcionando em julho para emitir a certidão.

"Um choque"

Daniela Godoy também está em uma situação parecida coma a Juliana. Ela e o noivo, Bruno Superbi, iriam se casar no civil e receber a "benção dos pais" no dia 13 de junho, também em João Monlevade, porém, com a pandemia, os planos mudaram. "A princípio foi um choque, foi algo totalmente inesperado, até porque já estava tudo organizado para o casamento se realizar no mês de junho", comenta a noiva.

Ao contrário de Juliana, Daniela diz que tem interesse em fazer o matrimônio virtual. "Como, por agora, irei casar apenas no civil, acredito que seria possível fazer on-line com a presença dos noivos e das testemunhas".

Explica que pretende remarcar a cerimônia religiosa para o ano que vem, mas o maior problema para isso está sendo conciliar as datas com os fornecedores. Com o impasse, a noiva cogitou cancelar o evento, mas também enfrenta dificuldades para isso. "Alguns fornecedores já até avisaram que não teriam como ressarcir o valor já pago, fazendo de tudo para que apenas adiássemos e não cancelar tudo", comenta.

A pesquisa também aponta que 41% dos noivos  não têm certeza sobre o momento e o cenário dos próximos meses. Por isso, muitos estão aguardando mais um pouco para remarcar.

Além dos noivos, 64% dos fornecedores de serviços também têm dificuldade em "sincronizar a agenda com os outros fornecedores" e citam a "agenda livre" como um desafio.

Apesar de todo cenário, observa-se que a pandemia não está atrapalhando a marcação para casamentos futuros.

Fonte: Estagiária sob supervisão da subeditora Jociane Morais, www.msn.com